• 4 de junho de 2026
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terça-feira, 21 de outubro de 2025 | Eddy Carlos

"Ação social" de faccionados distribuía brinquedos para recrutar adolescentes para o crime

A organização investigada também está envolvida em crimes graves como homicídios, roubos e tráfico de entorpecentes na região de Altos.

Uma operação realizada nesta terça-feira (21) no município de Altos — com o cumprimento de 32 medidas cautelares entre mandados de prisão e busca e apreensão — expôs um esquema de manipulação social articulado por uma facção criminosa local que usava ostensivamente “ações comunitárias” como ferramenta de recrutamento. 

Conforme apurado pela Polícia Civil os integrantes do grupo criminoso organizavam eventos de distribuição de brinquedos em datas simbólicas para jovens da comunidade, instalando-se como “benfeitores” e ganhando espaço e influência dentro do território. Esses eventos não eram apenas generosidade de fachada — eram parte de uma estratégia deliberada de aliciamento. “A facção tem buscado utilizar falsas ações sociais para cooptar jovens e conquistar apoio dentro das comunidades. Isso é uma forma de manipulação e um claro desafio à autoridade do Estado”, afirmou o delegado Laércio Evangelista, do DRACO. 

 "Ação social" de faccionados distribuía brinquedos para recrutar adolescentes para o crime  

As investigações ainda captaram mensagens internas do grupo que indicavam: os líderes determinavam locais, quantidade de brinquedos, quem faria a entrega e exigiam que tudo fosse registrado em vídeo como prova da ação. Em muitos casos, os vídeos eram encaminhados ao comando da facção para validação, reforçando o poder e o controle dentro da hierarquia criminosa.

Segundo a SSP-PI, a organização investigada também está envolvida em crimes graves como homicídios, roubos e tráfico de entorpecentes na região de Altos. A ação coordenada neste dia contou com apoio de unidades especiais como o BEPI, BOPE e BOPAER, além das diretorias de inteligência da SSP e da Polícia Civil. 

Todo esse quadro revela como o crime organizado conseguiu se infiltrar em áreas vulneráveis ao disfarçar suas operações de “ações de inclusão” — e demonstra a importância de uma atuação articulada de segurança pública para interromper este tipo de artimanha. A iniciativa, sob o guarda-chuva do “Pacto pela Ordem”, sinaliza que o Estado pretende não apenas combater o crime reativo, mas atacar suas raízes sociais.

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