Se depender da enquete realizada no seu perfil no Instagram, o Projeto de Lei do vereador Venâncio Cardoso (PP) é natimorto. Pela proposta do parlamentar passear em locais públicos com cães de médio e grande porte seria permitido apenas com uso de focinheiras nos animais, podendo o tutor ser penalizado desde a advertência até o pagamento de multa de R$ 250,00.
A reação dos protetores e proprietários de animais foi imediata, com comentários contrários à proposta. Venâncio Cardoso justifica afirmando que recebeu a sugestão de pessoas que praticam esporte e fazem caminhadas com criança e animais pequenos. O parlamentar afirma que está aberto a sugestões e buscar audiência pública com protetores porque teve reações negativas onde raças como labrador, por exemplo, são de grande porte e dóceis.
Uma das vozes que já se levanta na Câmara Municipal de Teresina é a vereadora Thanandra Sarapatinhas (Patriota), que promete dialogar com todo o parlamento para derrubar o Projeto de Lei.
VEJA ALGUNS COMENTÁRIOS CONTRA E FAVOR DA PROPOSTA:
ENQUETE:
Aos internautas pelo Instagram o vereador Venâncio Cardoso pergunta:“Você concorda com o texto deste Projeto de Lei da forma como está”? 84% responderam não e 16% aprovaram. O parlamentar também quis saber: “Você discorda completamente deste Projeto de Lei”? 78% disseram discordar e 22% concordam. Outra questão levantada foi: “Se o Projeto de Lei excluir cães de raças consideradas dóceis, você passa a concordar com o PL”? 72% mantém-se contrários ao PL e 28% apoiam.
Para o professor Werton Costa, o PL foca de forma errada os animais. Ele justifica que cabe aos tutores zelar pela segurança dos seus pets e das demais pessoas durante os passeios.
“A focinheira é arbitrária e criminosa porque deve ser facultativa aos casos em que os proprietários acreditarem que há necessidade de usar para evitar que seu cão se machuque ou promova algum tipo de agressão”, afirma.
CONFIRA ENQUETE E O PROJETO DE LEI:
O QUE DIZ ADESTRADOR DE CÃES:
O adestrador do Canil da Polícia Militar do Piauí, Cabo Bruno Alencar, reconhece que há registro de ataques de cães a pessoas em Teresina, apesar de não ter quantificado esse número. Porém, ele ressalta que os animais são o reflexo dos seus donos e por isso podem apresentar comportamento agressivo.
“O animal paga um preço alto, tendo em vista todos os casos que foram acometidos aqui em Teresina. Temos casos de cães de grande porte que fugiram de suas residências e que acabaram causando sequelas graves a crianças e adultos. Por outro lado, com relação à saúde mental do animal, a focinheira afeta significativamente o comportamento. O cão quando está em passeio com seu tutor, ele tende a transpirar e, diferente de nós seres humanos ele não transpira pela pele, mas pelos poros bucais, ou seja, pela língua, e por isso precisa abrir a boca para fazer essas trocas térmicas. O animal irá sentir-se preso. Então, esse projeto, se é um ponto positivo para segurança, por outro lado é negativo em relação à qualidade mental e psicológica dos animais que estarão com a focinheira. É um preço alto que se será pago por alguns casos que aconteceram em Teresina”, explica.
Sobre animais tidos como perigosos, ele é enfático ao defender a educação e explica que esta é uma definição que vai além do estereotipo de cães de guarda, como o rottweiler.
"Pode ser até mesmo um cão de pequeno porte, como um pinscher ou poodle. Cães de guarda são naturalmente estabelecidos pela natureza, mas precisa saber educar. Uma boa qualidade de vida e educação, lazer, hora de passeio, tudo isso gera comportamento natural no animal. Perigoso é um tutor que não sabe educar seu cão. O animal é reflexo da educação que recebe", pontua.
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