Na última semana circulou um vídeo nas redes sociais mostrando uma família com crianças após ter o carro apreendido pela Strans em Teresina ganhou um novo capítulo e levantou suspeitas dentro da Prefeitura. Em um primeiro registro, eles afirmam ser do município de União e relatam que estavam na capital porque um bebê estaria doente, reclamando que teriam sido deixados sem assistência após a remoção do veículo. No entanto, o órgão de trânsito, em nota, informou que essa informação não procede e que os agentes chegaram a oferecer transporte aos familiares, mas houve recusa.
Surge então um outro vídeo. Desta vez a mesma família pede ajuda para comprar uma bateria de carro dizendo que precisa voltar para José de Freitas. A contradição sobre a real cidade de origem e o uso recorrente da imagem das crianças para sensibilizar a opinião pública acendeu o alerta no poder público. Diante dessas divergências, a Prefeitura de Teresina informou ao OPINIÃO E NOTÍCIA que deverá acionar o Conselho Tutelar para acompanhar o caso e esclarecer se os menores estão sendo usados em situações de exposição e apelo emotivo com o objetivo de obter algum tipo de vantagem ou benefício.
No episódio da apreensão do veículo, a Strans afirmou que foi acionada para prestar apoio a uma família em um carro parado sobre a ponte, com crianças a bordo. O motorista relatou que aguardava alguém levar combustível para tirar o carro do local e seguir viagem. A cena comoveu as redes sociais e gerou repercussão negativa para a Prefeitura. O próprio Prefeito Sílvio Mendes (UB) afirmou que iria apurar o caso, prometendo punição em caso de abusos ou irregularidades praticadas pelos agentes.
No entanto, o que se verificou é que o condutor não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o veículo somava mais de R$ 20 mil em multas — 60 infrações, grande parte por excesso de velocidade —, circulava sem placa traseira e transportava criança de colo sem qualquer dispositivo de segurança. A Strans informou que, diante das irregularidades, recolheu o veículo conforme a legislação de trânsito e chegou a oferecer transporte à família, proposta que teria sido recusada.
Com apoio da Polícia Militar, ainda foram apontados processos criminais em nome do condutor, incluindo registros por furto, receptação e violência doméstica, além do fato de que o carro não lhe pertencia e estaria emprestado. Agora, além da esfera de trânsito e policial, o caso deve passar pelo crivo do Conselho Tutelar, que será provocado a verificar as condições das crianças, a real situação da família e se há uso indevido dos menores em busca de benefícios ou vantagens junto ao poder público e à sociedade, o que pode caracterizar violação de direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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