O fenômeno climático La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental, tem impactos significativos no clima global, incluindo o Brasil. No Nordeste brasileiro, especialmente no Piauí, a La Niña está associada a um aumento nas precipitações, influenciando diretamente as atividades agrícolas e o cotidiano da população.
De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), as condições para a formação da La Niña foram oficialmente confirmadas em janeiro de 2025. O fenômeno deve persistir até o período entre fevereiro e abril de 2025, com 59% de chance de continuidade, retornando a condições neutras entre março e maio, com 60% de probabilidade de transição. Para o Piauí, a La Niña pode resultar em um regime de chuvas acima da média, beneficiando a agricultura local, especialmente o cultivo de grãos e a pecuária.
“A expectativa é que a Zona de Convergência Intertropical, que é o sistema que traz as chuvas para o Nordeste, sempre em meados de janeiro para fevereiro, possa ser potencializada, ou seja, o volume de chuvas na segunda quinzena de janeiro, mês de fevereiro e mesmo em março, sejam acima da média. Isso traz um impacto positivo, mas também uma preocupação. Elas vão melhorar o abastecimento, o nível dos reservatórios, porém, nós temos no Nordeste cidades com baixa resiliência. Muitos municípios suscetíveis a alagamentos, enxurradas e deslizamentos. A preocupação é grande para o sistema de proteção da Defesa Civil, que deve atuar diuturnamente na emissão de alertas e orientações seguras para a população”, afirmou ao OPINIÃO E NOTÍCIA o climatologista Werton Costa, Diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí.
Especialistas alertam que, mesmo com a presença da La Niña, as chuvas podem atrasar no Semiárido, região que abrange parte do Piauí. Portanto, é fundamental que produtores rurais e gestores públicos mantenham-se atentos às previsões climáticas e adotem medidas de adaptação para mitigar possíveis impactos negativos.
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