• 4 de junho de 2026
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quarta-feira, 30 de julho de 2025 | Wesslley Sales

Consórcio Nordeste reage ao “tarifaço” dos EUA e articula proteção para economia regional

Governadores do Nordeste se unem ao Governo Federal para minimizar os impactos das novas tarifas americanas sobre setores produtivos estratégicos, como fruticultura, têxtil e metalmecânico. Mel do Piauí busca novos mercados.

O Consórcio Nordeste iniciou uma articulação emergencial com o Governo Federal para conter os impactos econômicos do chamado “tarifaço” imposto recentemente pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, que institui novas barreiras tarifárias a exportações, atinge em cheio setores estratégicos da economia nordestina, como fruticultura, apicultura, setor têxtil, calçadista, metalmecânico e indústria automotiva, afetando diretamente pequenos negócios, empregos e arranjos produtivos locais.

A mobilização envolve parceria com a APEXBrasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sob o comando do vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo o presidente do Consórcio Nordeste, governador Rafael Fonteles, o objetivo é agir de forma estratégica para evitar que o Nordeste pague o preço por um cenário geopolítico que escapa ao seu controle. “O Nordeste não assistirá passivamente ao impacto dessas medidas. Estamos somando forças com a APEXBrasil e o MDIC para garantir a proteção dos nossos empregos, das nossas empresas e da nossa capacidade produtiva”, afirmou Fonteles.

A ação inclui um mapeamento técnico detalhado, com estimativas de perdas econômicas, setores atingidos e empresas afetadas em cada estado. A partir desse diagnóstico, o Consórcio busca articular novos mercados, diversificar destinos comerciais e fortalecer a presença internacional dos produtos nordestinos. A ideia é não apenas minimizar os danos, mas transformar a crise em oportunidade de expansão comercial.

Nos dias 5 e 6 de agosto, os governadores terão uma agenda estratégica com o presidente Lula em Brasília. No dia 5, pela manhã, participam da reunião do Conselhão para debater os impactos das tarifas. À tarde, realizam a Assembleia Geral do Consórcio. No dia seguinte, reúnem-se com Lula, o vice-presidente Alckmin e a ministra Gleisi Hoffmann, numa articulação política de alto nível para defender os interesses do Nordeste.

“Defender a economia do Nordeste é defender o Brasil. E é com esse espírito que estamos somando forças”, reforçou o Governador do Piauí, Rafael Fonteles.

MEL DO PIAUÍ 

Apesar de ainda manter os contratos com exportadores, pelo menos 152 toneladas de mel deixaram de ser enviadas aos Estados Unidos nos últimos 15 dias, reflexo da tarifa imposta pelo Governo Trump. A excelência do produto piauiense é reconhecido internacionalmente pela pureza e qualidade. Para enfrentar a possível perda de clientes americanos, outros mercados estão em vista, como Dinamarca, Japão, China, Emirados Árabes, Canadá, Alemanha, Bélgica e Holanda.

O Piauí é o segundo maior produtor de mel orgânico do país, com exportações chegando a R$ 100 milhões/ano, sendo os Estados Unidos um dos mais importantes compradores, algo em torno de 75% da produção.

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