“Você com certeza não me conhece. tem preferência para candidato a Deputada Estadual”? Esta pergunta pelo whatsapp chamou minha atenção e, a partir dela, quis saber um pouco mais sobre quem era aquela pessoa. Ela enviou um vídeo e, a partir daí iniciamos um diálogo que passa a fazer parte da primeira entrevista para o novo quadro do OPINIÃO E NOTÍCIA, o OUTSIDERS, garantindo mais visibilidade a pessoas que sem apadrinhamento político correm por fora na tentativa de serem eleitos em 2022.
Conheçam, a partir de agora a pré-candidata a uma das 30 vagas na Assembleia Legislativa do Piauí, Eliete Andrade (PL).
ON - QUEM É ELIETE ANDRADE?
ELIETE ANDRADE – Quero compartilhar com você um pouco da minha história de vida e Política. O processo da minha construção começou bem cedo, sou Filha de pais adotivos, nasci na cidade de Canto do Buriti e cresci em Floriano. Meu Pai trabalha na Agespisa de Floriano até hoje. Quando meus pais me pegaram no hospital, Eu tinha apenas algumas horas de nascida. Minha mãe biológica Sandra Regina uma Corajosa Mulher, essa imagem que tenho dela. Faleceu de câncer quando eu tinha 11 anos. O desafio de uma gravidez é muito grande, e há 33 anos sem apoio da família, com certeza era muito mais difícil. Eu sou uma decisão, por isso, eu vejo o agir de Deus em minha vida, um grande propósito estava nascendo. Cresci ouvindo meu pai dizer que o trabalho dignifica o Homem. Eu tenho um apreço por cada ensino que meu pai gerou em mim. Minha Vida Política começou bem cedo. Aos 13 anos já estava indo pra Teresina para participar de convenções políticas. Ali comecei a entender a relevância e o valor da política na vida das pessoas. Eu tinha uma vontade no meu coração de mudar o mundo, de querer que as pessoas tivessem uma vida diferente. Eu sempre pensei no coletivo, de me colocar no lugar das pessoas. Ter empatia! Eu me formei em Ciência política, não porque gostaria de ser político, mas porque a política sempre fez parte dos meus dias. Por isso escolhi a Ciência política como carreira. Eu já tive experiência com outras campanhas, e decidi usar toda minha experiência para construir minha história Política.

ON – PORQUE DISPUTAR ELEIÇÃO ESTE ANO?
EA – É importante falar sobre candidatos sem apadrinhamentos, que não são conhecidos e estão começando do zero. Essa construção de base é uma conquista e não é fácil. Fiscalizar o governo é a principal função de um parlamentar, Por isso, sou candidata, eu luto pela renovação das cadeiras na assembleia. Também decidi me tornar candidata com o propósito de quebrar esse ciclo de reeleição, com candidatos que já passam de oito anos no poder, sem nenhum trabalho expressivo no estado. Já está na hora da gente renovar, os que estão lá, não tem mais nada para nos oferecer. Essa mudança é necessária.
ON – QUAIS PAUTAS A SENHORA LEVA PARA ESTA CAMPANHA?
EA – Empreendedorismo e Inovação, renovação na assembleia, Desenvolvimento regional, turismo, redução dos impostos, infraestrutura e cidades inteligentes, projetos sociais e politicas públicas de desenvolvimento pessoal e profissional para população piauiense.
ON – QUAL DIFICULDADE PARA TRABALHAR UMA CAMPANHA COMO A SUA, SEM GRANDES APOIOS?
EA – Eu não apoio fundo partidário. Sempre tive a consciência de que se um dia fosse fazer minha campanha não seria com recursos de partido. Então, claro que há dificuldades, mas queremos fazer uma campanha inovadora. Não chamo de campanha raiz porque a gente sabe que a raiz da nossa política, principalmente no Piauí, não é trabalhada, mas é uma política de dinheiro e corrupção. Quero que as pessoas olhem para mim pelo mérito, que trabalhou, juntou dinheiro, mobilizou pessoas e essas se identificaram com o propósito. Ai, sim, ela conseguiu vencer uma eleição pelo esforço. Essa é minha estrutura, com transparência e por isso estou aqui. Uma boa organização, estratégias certas e colaboradores que fazem as coisas acontecer isso sim, é uma boa política. Eu não preciso de muito, mas preciso do necessário. Existem gastos numa campanha que são inevitáveis. Pagamento de pessoal, propaganda, mídia, gasolina, viagens, hospedagem nas cidades, tudo isso tem um custo. Hoje minha meta é construir minha base financeira. Todas as ferramentas que estiverem ao meu alcance usarei para fazer arrecadação, Rifas, quermesse, jantares, doação de campanha evaquinha virtual. O mês de junho (festa junina) será minha porta de entrada para conquistar essa meta.

"Sempre tive a consciência de que se um dia fosse fazer minha campanha não seria com recursos de partido".
ON – ENTÃO, REDES SOCIAIS DEVEM SER UMA FORMA DE CHEGAR MELHOR NO ELEITOR?
EA – Eu acredito muito nas redes sociais, apesar da estimativa apontar que ter 25% em redes sociais não elege. Por outro lado, pesquisa DataSenado mostra que 45% da população é influenciada pelas redes sociais para definir o voto. Então eu tenho pessoa que cuida do meu branding(imagem pessoal) para trabalhar o Instagram, com foco na política e naquilo que me move, ser cristã. Também tenho uma pessoa diretamente como moderador no Facebook. Não é toda, mas as redes sociais têm um papel importante para nós.
EA – QUAL ANÁLISE FAZ SOBRE A DISPUTA ESTE ANO NO CENÁRIO LOCAL E NACIONAL?
Apoio o Major Diego, mas entendo que a terceira via ainda não está totalmente consolidada. Hoje nós temos dois cenários muito importantes que, de fato, é uma briga entre Ciro Nogueira (PP) e Wellington Dias (PP) e federal temos Lula (PT) versus Bolsonaro (PL). Costumo dizer que Sílvio Mendes (UB) e Rafael Fonteles (PT) são apenas coadjuvantes neste filme que se encerra no primeiro ou segundo turno. Os piauienses veem o Major Diego como uma boa pessoa e que daria um bom governante. Mas, hoje, nossa meta é tirar o PT. Então, querendo ou não a pessoa que mais tem relevância no cenário político para bater de frente com Wellington Dias é Ciro Nogueira, que é representado na disputa por Sílvio Mendes. Os bolsonaristas devem votar nele porque é essa pessoa de referência que conseguiria derrubar o PT talvez ainda no primeiro turno. Bolsonarista até reconhece o Major Diego como candidato do Bolsonaro, mas para não correr o risco do PT ter alguma chance de vencer no segundo turno, eles devem votar em Sílvio Mendes logo no primeiro turno.
ON – A SENHORA SE DEFINE COMO BOLSONARISTA. MAS, EM UM ESTADO LULISTA, COMO VENCER MANTENDO O DISCURSO?
EA – Hoje estamos começando a construir lideranças no PL em várias cidades do Piauí e é um trabalho de formiguinha. Um estado como o Piauí com visão de Lula, e eu gosto de explicar porque as pessoas são lulistas. Isso, lógico, vem daquela construção do que Lula fez, principalmente pelos programas de transferência de renda e o Fome Zero. Sim, tiveram um impacto em muitas vidas no nosso estado. É preciso dizer que o discurso bolsonarista no Piauí é muito complicado porque ele tem um discurso ferrenho, até mesmo autoritário, uma defesa bem radical. Esse discurso para cá não funciona e por isso sempre chamo atenção do partido. Como você vai conquistar os votos dessas pessoas que são lulistas quando tem pessoas que tem discurso de ódio, que temos que acabar com o petismo no Piauí? Isso é complicado para dizer a uma pessoa que teve suas necessidades supridas naquele momento. Nosso povo tem raízes em sentimentos como a gratidão. Então, para convencer alguém a mudar não tem que bater de frente, mas fazer com que ela reflita que pode ser melhor com as nossas propostas. O Piauí é um estado grato e tem gratidão por Lula. É preciso desconstruir este sentimento, fazer com que entendam que aquele momento foi suprido, mas não pode haver devoção eterna.

ON – COMO CIENTISTA POLÍTICA, A SENHORA ACREDITA QUE BOLSONARO CRESCE NO PIAUÍ EM RELAÇÃO A 2018?
EA – Bolsonaro pode aumentar um pouquinho sua repercussão no estado e Ciro Nogueira tem feito muito para isso. Até que a imagem de Ciro aqui é interessante porque o Sílvio Mendes não consegue ligar com a imagem de Bolsonaro porque ele conhece o discurso bolsonarista. Ele sabe que se levantar a bandeira de Boslonaro vai perder votos e não vai ganhar. Diferente do Major Diego (PL), onde cheguei a conversar com ele e sugeri mudança de discurso. Disse que não precisava levantar a bandeira bolsonarista. Mostre seu trabalho, quem você é. Major Diego é uma pessoa maravilhosa, um homem sencaional, com cabeça aberta. Mas, ele é militar e tem esse amor por Bolsonaro e é difícil mudar. Ele não quer. É uma decisão de levantar essa bandeira de Bolsonaro. Então, o estado não vai mudar. A pessoa vai ser bolsonarista? Não. O que ela pode é avaliar o candidato pelo estado, que é o discurso de Ciro Nogueira ao dizer que quem governa o Piauí não é o Presidente (da República), mas o Governador e que o Piauí precisa de gestão. Então, ele leva mais para o lado profissional. A forma como o Ciro coloca e o Sílvio se posiciona é que atrai. Então, a única pessoa hoje com discurso que pode atrair até mesmo quem é Lula chama-se Sílvio Mendes, mas com esse discurso de distanciamento de Bolsonaro, focando no regional. Sou bolsonarista e explico porque Bolsonaro é meu candidato, mas digo também que sou pré-candidata a deputada estadual e que minha presença no cenário federal não tem relevância. Aliás, o Piauí não tem relevância no cenário federal e infelizmente está muito difícil trabalhar uma cadeira para federal hoje. O PL precisa ter 175 mil votos para conquistar uma cadeira para que aquele candidato possa chegar a pelo menos 5%. Tudo isso é uma construção. Não será da noite para o dia que vamos conscientizar as pessoas sobre família, bandeiras que trabalhamos e pautas a serem defendidas. Para isso, primeiro é preciso desconstruir o sentimento de gratidão a Lula porque esse momento já passou e agora podemos viver uma nova vida, uma nova história, um novo futuro com nova forma de governar. Aí, sim, colocar valores como construção diária.
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