Considerada essencial para o escoamento da produção piauiense de grãos e minérios para os portos de Pecém (CE) e Suape (PE), a ferrovia Transnordestina está empacada a 16 anos. Iniciada no Governo Lula em 2006, seus 1.753km de extensão (427 km no Piauí) tinham previsão de serem concluídos ainda em 2010. Porém, sofreu várias paralisações e viu aumentar consideravelmente a necessidade de recursos, saindo de um orçamento inicial de R$ 13,7 bilhões, onde já foram gastos mais da metade e executados pouco mais de 40% da obra.
Vários foram os motivos para paralisação das obras, como as questões judiciais, briga de sócios e falta de recursos, além de denúncias de mal uso de recursos. Mas, em julho de 2020 a ferrovia foi retomada pelo Governo Jair Bolsonaro (PL). Na segunda-feira (6), o Ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) destacou que os trabalhos estão em andamento.
“Ela está em plena execução. Nós priorizamos agora o eixo até o Ceará, que é o eixo mais viável até o momento. No segundo momento será feito o eixo para o estado do Pernambuco. Espero que o mais rapidamente possível possa concluir porque esta obra é fundamental para o nosso estado, do ponto de vista econômico. Ela vai ser capaz de aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) do Piauí em torno de 10%”, afirmou Ciro Nogueira, que ao lado da então Presidente Dilma Rousseff (PT), visitou o canteiro de obras em setembro de 2015.
Ciro Nogueira e Wellington Dias em visita às obras ao lado da Presidente Dilma Rousseff em 2015. Reprodução.
Porém, o OPINIÃO E NOTÍCIA teve acesso exclusivo ao relatório oficial da Secretaria Nacional de Transportes Terrestres, do Ministério da Infraestrutura, onde são detalhadas a situação da ferrovia que vive entre a expectativa e as notícias ruins.
De acordo com o relatório, de 2019 até o momento foram investidos R$ 469 milhões e concluídos apenas 12,42 km neste período, “considerando conclusão do trecho como montagem de grade (instalação de trilhos). Estão sendo executados trabalhos nos trechos entre Trindade/PE e Eliseu Martins/PI, bem como entre Missão Velha/CE ao porto de Pecém (Ceará)”.
Assinado pelo Chefe de Gabinete da SNTT/Minfra, Péricles Tadeu da Costa Bezerra no dia 24 de maio deste ano, o documento é uma resposta ao OPINIÃO E NOTÍCIA sobre o andamento das obras. Nós também buscamos informações sobre a perspectiva de conclusão dos trabalhos e a constatação não é nada animadora.
“A acionista estatal da concessionária TLSA, a Valec Engenharia Construções e Ferrovias S.A., contratou uma consultoria para analisar as formas mais adequadas a se proceder. Essa análise está sendo desenvolvida atualmente, quando for concluída, será possível mensurar adequadamente o prazo para conclusão dos investimentos. Já com relação aos principais entraves, pode-se citar o funding, definição das fontes de recursos para financiamento do projeto, e as adversidades enfrentadas pela concessionária, em virtude da extensão territorial e do local de implantação do empreendimento”, diz Péricles Tadeu.
Esse funding nada mais é do que a falta de financiamento (orçamento) para a Transnordestina, que apesar de ser uma obra privada é capitalizada principalmente com dinheiro público. Apesar disso, os Ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Marcelo Sampaio (Infraestrutura) comemoraram o avanço das obras no Piauí durante entrega dos primeiros 10km (dos 20km) da duplicação da BR-316, entre Teresina e Demerval Lobão, solenidade que aconteceu na última segunda-feira (6).
Diante deste cenário contatamos que o Governo Lula deixou de concluir a Transnordestina e o Presidente Jair Bolsonaro também não finalizará a ferrovia, pelo menos neste mandato. Caberá ao próximo Presidente da República, seja ele quem for, a missão de entregar para o Piauí aquela que poderá ser uma das maiores obras para o Estado.
CONFIRA O DOCUMENTO ENVIADO AO OPINIÃOE NOTÍCIA PELO MINISTÉRIO DA INFRAESTRUTURA:
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