O discurso foi curto, pouco mais de dois minutos. No contexto não houve reconhecimento da derrota, nem tão pouco repetiu a tradição de parabenizar o vencedor. No entanto, em seu primeiro pronunciamento na noite desta terça-feira (1), 48 horas depois do resultado da eleição, o Presidente da República deixou pistas do futuro do bolsonarismo no país.
“A direita surgiu, de verdade, em nosso país. Nossa robusta representação do Congresso mostra a força dos nossos valores: Deus, pátria, família e liberdade. Formaram diversas lideranças pelo Brasil. Nossos sonhos seguem mais vivos do que nunca (…) É uma honra ser o líder de milhões de brasileiros que, como eu, defendem liberdade econômica, religiosa, de opinião, a honestidade e as cores verde e amarela da nossa bandeira. Muito obrigado.”
De fato, os mais de 58 milhões de votos e a menor diferença entre dois candidatos a Presidência da República mostram que o bolsonarismo vai continuar. Mais ainda após a série de manifestações que fecharam rodovias em vários estados. Mas, qual o futuro de Jair Bolsonaro e do movimento que o levou ao comando do país em 2018?
Para o cientista político Germano Lúcio analisou com exclusividade ao OPINIÃO E NOTÍCIA o que se pode esperar a partir de agora. Para ele o “bolsonarismo”, ou melhor, a direita sempre existiu no Brasil, mas agora terá que rever se Bolsonaro ainda será o modelo a ser adotado. “A roupa está apertada”, disse sobre a “personagem Bolsonaro”.
“São duas coisas diferentes, o Bolsonaro e o bolsonarismo. O bolsonarismo sempre existiu no Brasil. Na Marcha com Deus, pela Família e pela Pátria, em 1964, era o bolsonarismo. Essa pauta conservadora o Brasil sempre teve. O Brasil sempre foi um pouco mais conservador do que progressista. Isso é histórico. O bolsonarismo vai continuar existindo. Qual a diferença? É saber se esta personagem, Bolsonaro, vai continuar servindo na roupa deste movimento. Por hora nesta personagem a roupa está apertada. Vai surgir uma nova personagem que caiba nesta roupa que possa representar essa parcela da sociedade brasileira? É uma pergunta que o tempo vai responder. Nesses quatro anos muita coisa pode acontecer. Em 2018 tivemos Marina Silva, Aécio (Neves) em 2014. Onde estão? Cada eleição guarda sua particularidade. Vai depender de como serão esses quatro anos de governo Lula e a capacidade que ele tiver de gerir esse país, como em seu primeiro mandato. Então é provável, isso acontecendo, a relação entre economia e desempenho eleitoral sempre vai andar junto. O eleitor médio ele vai com sua realidade pragmática. Se a economia está boa ele não vota em ideologia”, explica.
OUÇA A ANÁLISE DO CIENTISTA POLÍTICO GERMANO LÚCIO:

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