Os últimos acontecimentos que envolvem as investigações da Polícia Federal no entorno do ex-Presidente da República trazem à tona um possível aparelhamento estatal para uma verdadeira farra de joias e presentes milionários. Com as revelações trazidas com as quebras de sigilo telefônico e telemático dos investigados, entre eles o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), tenente-coronel do Exército Mauro César Barbosa Cid.
Nesta sexta-feira (11) a Operação Lucas 12:2 mirou, além do próprio Mauro Cid, o seu pai, general do Exército Mauro César Lorena Cid, o tenente do Exército Osmar Crivelatti e o advogado e amigo da família Bolsonaro, Frederick Wassef. Com a divulgação de trechos de mensagens e áudios, aliados do ex-Presidente da República estariam preocupado não se, mas quando Jair Bolsonaro deverá ser preso.
“A decisão de Moraes, tornada pública ontem, é recheada de menções que indicam a gravidade da situação de Bolsonaro – sugerindo, por exemplo, que o ex-presidente determinou ou autorizou as transações com as joias sauditas sob investigação. Depois de passar o dia estudando o despacho, em que Bolsonaro é citado nominalmente 93 vezes ao longo de 105 páginas, esses auxiliares se preocuparam não apenas com o que Moraes disse – mas principalmente com o que ele não disse”, afirma a jornalista Malu Gaspar, de O Globo.
A Polícia Federal solicitou ao STF as quebras dos sigilos bancários e quer tomar depoimentos de Jair Bolsonaro e sua esposa Michelle Bolsonaro. Pelo menos quatro presentes, como joias e objetos já tiveram negociações identificadas pela PF: um anel, uma caneta, abotoaduras, um rosário e um relógio Rolex em ouro branco (presente da Arábia Saudita em 2019); um relógio Patek Philippe (2021); Conjunto de itens Chopard (uma caneta, um anel, um par de abotoaduras, um rosário árabe e um relógio - presente da Arábia Saudita em 2021); uma escultura de um barco dourado e uma escultura de uma palmeira dourada (presente do Bahrein em 2021).
O caso emblemático é de um Rolex vendido por mais de R$ 300 mil para uma loja chamada o Precision Watches, nos Estados Unidos. De acordo com a investigação o relógio foi levado para fora do Brasil em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) por uma comitiva de Jair Bolsonaro.
"Tem vinte e cinco mil dólares com meu pai. Eu estava vendo o que, que era melhor fazer com esse dinheiro levar em 'cash' aí. Meu pai estava querendo inclusive ir ai falar com o presidente (...) E aí ele poderia levar. Entregaria em mãos. Mas também pode depositar na conta (...). Eu acho que quanto menos movimentação em conta, melhor né? (…)’, diz Mauro Cid em um trecho de áudio enviado para Marcelo Câmara, à época assessor especial de Jair Bolsonaro.
Deixe sua opinião: