A ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Teresina, Suelene Pessoa, conhecida como Sol Pessoa, prestou depoimento nesta quinta-feira (16) confessando que participou de uma organização criminosa dentro da gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa, no que já é denominado Operação Gabinete de Ouro. Em sua oitiva, Sol admitiu que o esquema envolvia fraudes em contratos, manipulação de remunerações de terceirizados e uso de contas “laranjas” para ocultar repasses ilícitos. Ela negou que tivesse controle direto sobre pagamentos, dizendo que apenas atendia pedidos de gestores e aliados políticos para dispor lotações e aprovar indicações.
Mauro José de Sousa e Rafael Thiago Teixeira Ferreira também prestaram depoimento e mais luz sobre o funcionamento interno do esquema. O primeiro é apontado como operador nos bastidores, responsável por movimentações em espécie e repasses que mascaravam a rota real dos recursos usados no desvio. Ele confirmou ter mantido contato com Sol, mas negou conhecer a estrutura completa do esquema, alegando que apenas “cumpria solicitações de pessoas ligadas à administração municipal”. O delegado Ferdinando Martins, que comanda a investigação, informou que, além das confissões, documentos sigilosos do COAF revelaram movimentações financeiras atípicas entre os investigados, contratos superfaturados e depósitos incompatíveis com os cargos oficiais. Entre os casos emblemáticos está o de um motorista da prefeitura que teria enviado R$ 150 mil para uma empreiteira vinculada à construção da casa de Sol Pessoa, por meio de conta de terceiro
A Câmara Municipal de Teresina poderá revogar o Título de Mérito Legislativo concedido à ex-servidora comissionada Suelene da Cruz Pessoa, conhecida como Sol Pessoa, agora presa na Operação “Gabinete de Ouro”. A honraria, instituída em 15 de agosto de 2023 por decreto legislativo (Decreto Legislativo nº 333/2006), foi indicada pelo ex-vereador Roberval Queiroz, então aliado político do ex-prefeito Dr. Pessoa, e simbolizava a confiança que Sol Pessoa gozava na administração municipal. Com o avanço das investigações e sua prisão por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos, o vereador Petrus Evelyn (Progressistas) protocolou requerimento alegando que os fatos públicos recentes “maculam a honra e a idoneidade da homenageada” e que a distinção não se sustenta ante tais denúncias.
PRINTS
Em meio à repercussão já intensa da Operação Gabinete de Ouro, novos elementos vieram à tona: prints de conversas que circulam em portais de notícia mostram Sol Pessoa negociando cargos públicos diretamente com o empresário Marcus Almeida, detalhando lotações e salários, com menção a pastas e até a valores específicos para ocupação de cargos comissionados. Esses diálogos vêm somar-se às delações e depoimentos prestados por Sol, Mauro José e demais envolvidos, reforçando que o controle político-administrativo não era informal ou residual, mas parte de operação consciente, estruturada e monitorada digitalmente.
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