• 4 de junho de 2026
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sexta-feira, 4 de julho de 2025 | Eddy Carlos

Influenciadoras digitais são alvo de “Operação Faixa Rosa”: 19 pessoas indiciadas por apologia ao crime no Piauí

Exibições de armas, incitação ao tráfico e organização criminosa no Instagram motivam ação da Polícia Civil, que apreendeu cadastros da facção.

“É mamão com açúcar pra derrubar todos os três.” Com esse tipo de conversa registrada em áudios, a Polícia Civil do Piauí, por meio do DRACO, concluiu nesta quinta-feira (3) a investigação da Operação Faixa Rosa, que mirou um grupo de influenciadoras digitais acusadas de divulgar e glamourizar o crime em redes sociais. Ao todo, 19 pessoas foram indiciadas por organização criminosa e apologia, sob acusação de usarem influências virtuais para propagandear tráfico de drogas e violência armada.

A investigação começou em 30 de abril, com mandados de prisão temporária e buscas. Devido às evidências obtidas ao longo das diligências – áudios, vídeos, mensagens, papéis internos – 18 investigadas tiveram prisão convertida para preventiva e uma permanece foragida. Segundo o coordenador do DRACO, delegado Charles Pessoa, “os materiais deixam claro a estrutura de comando, a linguagem codificada e a tentativa de doutrinação criminosa. Foi uma ação orquestrada.”

Essas criadoras de conteúdo utilizavam suas plataformas para exibir armas, ostentar drogas, incitar violência e organizar ataques contra rivais. Era um sistema funcional, com hierarquia e controle, configurando fruto da chamada “glamourização do crime” — em muitos casos, influenciando jovens, crianças e outros públicos vulneráveis.

“A operação é um marco no combate a esse fenômeno nacional”, explicou Charles Pessoa. “Elas usam plataformas digitais como vitrines do crime, banalizam a criminalidade e incentivam a adesão de jovens ao tráfico, à violência e ao confronto com o Estado. Não é só repressão: é também trabalho de proteção à juventude e integridade moral da sociedade.”

A ação evidenciou uma estrutura organizada da facção por trás da rede. Cadastros internos, formulários oficiais com estatutos, compromissos, apelidos e punições internas foram apreendidos, revelando o grau de formalização do esquema — tão sério quanto um grupo com registro rigoroso de filiação e controle disciplinar.

A Operação Faixa Rosa deixa clara a urgência de se monitorar e responsabilizar quem transforma as redes sociais em palco de apologia ao crime. A investigação segue em curso, e as 18 envolvidas mantidas presas preventivamente.

"Durante as investigações, foram apreendidos cadastros internos da facção, onde integrantes eram oficialmente registrados com nome verdadeiro, apelido (“vulgo”), comunidade de origem e atuação, referências hierárquicas e data de entrada. Os formulários revelam um modelo de organização formalizada, com regras como: cadastro após ter entendimento do estatuto e de seus compromissos com a organização, além disso, os documentos determinavam que integrantes mantivessem seu cadastro atualizado em caso de mudança de bairro ou sistema, sob pena de sanções internas", informa a Polícia Civil através de nota.

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIOS INCLUÍDOS NA INVESTIGAÇÃO


Layla Moura dos Santos Feitosa: “Cadê tu fez foi o reels dele? Manda aí.”
Eryka Carollyne: “Aí, mais três safado aí.”
Layla: “Ei, esse bicho, “réi aí mora onde é?”
Layla: “Aí dizendo aí, Cidade Nova, duas ruas 22, casa 242 é a casa deles, ou é a casa desse Breno aí de camisa branca?”
Eryka Carollyne: “Ei, mãe, a casa desse Breno aí, as informações. Tá tudinho aí, foi o Arlindo.”
Eryka Carollyne:  “Aí, só na maldade ele botou o endereço, ainda mostrou o jeito da casa aí, é mamão com açúcar pra derrubar todos os três.”
Paula Moura dos Santos (Vulgo Palhacinha): “Se a Ana Azevedo quiser também, todo mundo dá uma forcinha pra ela aí, pra nossa irmã aí. Pra nossa irmã está aprendendo com nós um pouco do dia a dia, aprendendo a ética do crime com nós aí, elas entraram agora, não sabe muito, né!...”
Ivana Azevedo Alves (Ana Azevedo): “Pelo contrário, em momento nenhum eu vim aqui falar nada para vocês não, entendeu! Tentei resolver com ela, somente com ela, até porque quem me deve é ela, não é nenhuma de vocês aqui. Então, todo tempo eu cheguei no direct dela, nunca vim atrás nem da madrinha pra tá falando sobre essas coisas, porque eu tentei resolver com ela. Eu sim iria levar ela para internet como vocês viram aí no print, porque eu sou uma pessoa pública e nós que somos blogueiras, algumas vezes é necessário postar algumas coisas…”
Mulher não identificada:  “Certo é o certo, né, a gente se fechar, tá ligado, com emoção pensando que a organização vai estar resolvendo a vida de ninguém, vai estar resolvendo… A organização é para matar alemão, é para ganhar dinheiro, ganhar progresso parceiro, pega a visão da situação…”

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