O que faz uma pessoa maltratar o próprio animal de estimação? É um paradoxo se levarmos em conta que, em via de regra, cães e gatos retribuem o carinho com amor, fidelidade e proteção.
Você lembra do Salvador? Ele é um cachorro SRD (Sem Raça Definida), o popular vira latas. Em novembro do ano passado ele tornou-se o primeiro animal no Piauí resgatado da casa onde vivia através de um mandado de busca e apreensão após constatado os maus tratos.

Em todo o Brasil são aproximadamente 141,6 milhões de animais de estimação, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Apenas em Teresina são quase 150 mil cães e gatos, como mostrou o Censo Animal divulgado em julho do ano passado pelo Centro de Zoonoses de Teresina.
Na prática, cada um destes pets deve ou deveria ter alguém que o zele, ou seja, um tutor, que deve ter acima de tudo responsabilidade e zelo pelo bem-estar físico e mental do animal escolhido, seja ele uma ave, um réptil, um gato ou aquele melhor amigo do homem. Porém, o que constatamos a cada dia, é um ato de crescimento de práticas cruéis, que assolam situações corriqueiras de espancamentos, deixando-os com sequelas terríveis e até mesmo casos de envenenamento fatais.
Compreender porque este tutor acaba por mal tratar seu animalzinho de estimação nos remete a várias interpretações. Nossos pets não vão ao veterinário, banham ou comem sem o apoio do seu dono. Eles também envelhecem e, como o ser humano, terão doenças e problemas decorrentes da idade, como a cegueira. É neste estágio que muitas vezes são abandonados e em casa acabam sofrendo agressões. O companheiro passa a ser um inútil. É como se para estas pessoas aquele bichinho fofinho, pequeninho não fosse crescer e precisar de mais cuidados ainda. Emma Otta e Marie Odile Monier Chelini, especialistas em comportamento animal, afirmam que a bioética remete ao dever de tratarmos todos os animais como seres detentores de desejos e necessidades.
Nem todos nós, tivemos a oportunidade de ter uma boa educação moral durante nossas vidas, e, essa é a primeira diferença a se perceber dentre aqueles que tratam bem seus animais para aqueles que maltratam. Nossa cultura é formada pelo que aprendemos durantes nossas vivências com nossos pais, irmãos, avôs, comunidade, etc., percebemos que não é somente a escola que nos permite adquirir uma boa educação, mas como também essas interferências externas que acomodam pensamentos positivos ou negativos.
Se quisermos zelar pelo bem-estar dos nossos animais de estimação e proteger os que vivem abandonados na rua, devemos primeiramente atentar para que sejam inseridas políticas públicas eficazes, que tenham sua efetivação teórica e prática. Não adianta apenas pensar em leis que transbordem belas palavras, não quero dizer que a lei 9.605 de 1998, que inicialmente abordou essa assunto, bem como suas respectivas atualizações, estão erradas, mas, devemos olhar à luz do que seria relevante para a aplicação prática, como por exemplo o aumento do contingente pessoal que fiscaliza, para termos pelo menos punições mais severas e rápidas.
E viva o Salvador. Este teve uma nova chance de vida com qualidade. Que aprendamos com os exemplos. Os pets são antes de tudo seres vivos que merecem todo respeito. Os cães, por exemplo, como diz a frase, "é o único animal que te ama mais do que a si próprio".
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