O homem tem o desejo natural de controle e isso, claro, vale para os bichos domésticos ou selvagens. No entanto, parece não haver preocupação por grande parte dos tutores sobre a educação comportamental a ser dada, um dos motivos de ataques de cães considerados perigosos a pessoas e a outros animais.
Talvez por isso surge na Câmara Federal um Projeto de Lei (4871/20) de autoria do Deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) que pode acabar em multa para o condutor e apreensão do animal (em caso de reincidência). De acordo com o texto, cães perigosos ou potencialmente perigosos só podem passear se estiverem com focinheira, estrangulador e coleira.
Mas, é realmente preciso tudo isso?
Para o adestrador do Canil da Polícia Militar do Piauí, Cabo Bruno Alencar, os cães são o reflexo dos seus donos e por isso podem apresentar comportamento agressivo. "É possível reeducar este animal considerado perigoso com adestramento profissional", explica.
Para ele tem donos que agridem seus animais e os colocam para participam de rinha. Eles desenvolveram um instinto agressivo atípico. Foram instigados a atacar pessoas e até mesmo outros animais. Com comportamento desequilibrado assim seria recomendado o uso de focinheira, caso a reeducação não seja mais possível. Mas, ele faz ainda um alerta.
"Estrangulador não, porque só funciona se souber usá-lo. não adianta um Projeto de Lei desse se não der condições à população de saber utilizar. Se for colocado na posição errada terá função simples de coleira. Aliás, o nome mais correto para este equipamento é colar de adestramento".
Sobre os animais perigosos, também enquadrados pelo Projeto de Lei, Bruno Alencar volta a defender a educação e explica que esta é uma definição que vai além do estereotipo de cães de guarda, como o rottweiler.
"Pode ser até mesmo um cão de pequeno porte, como um pinscher ou poodle. Cães de guarda são naturalmente estabelecidos pela natureza, mas precisa saber educar. Uma boa qualidade de vida e educação, lazer, hora de passeio, tudo isso gera comportamento natural no animal. Perigoso é um tutor que não sabe educar seu cão. O animal é reflexo da educação que recebe", pontua.
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