Ainda em agosto deste ano o Exército começou a parar de executar a Operação Carro-Pipa em diversos estados, como no semiárido mineiro. O serviço também foi suspenso em cidades da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Em março, 27 municípios piauienses já haviam deixado de ser atendidos e em maio já eram 49 cidades com decreto de emergência por conta da estiagem reconhecido pelo Governo Federal. Em todos os casos o motivo foi o mesmo, faltou dinheiro para levar água potável a quem sofre com a falta de chuvas típicas para esta época.
Essa situação, que no Nordeste se agrava ainda mais no período de estiagem, que vai de setembro a início de dezembro, teve que ser explicada nesta terça-feira (19) pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. O problema, segundo ele, está na Lei Orçamentária que, em 2021, destinou apenas R$ 500 milhões dos R$ 670 previstos para Operação Carro-Pipa atender mais de 2 milhões de pessoas em 673 municípios do semiárido.
“Em função da prioridade desses benefícios, na última sexta-feira, foram descentralizados mais R$ 20 milhões para garantir a entrega de água à população até o início de novembro. O Ministério do Desenvolvimento Regional, responsável pela gestão do programa, deverá receber mais recursos para irmos até o fim do ano”, explicou o Ministro, afirmando ainda que o Governo Federal busca soluções definitivas como transposição do Rio São Francisco (CE-PA-PE), instalação de dessalinizadores e construção de cisternas.
Porém, a justificativa não agradou os parlamentares. O deputado Danilo Cabral (PSB-PE), por exemplo, reconhece a necessidade da transposição, mas sem sua conclusão não poderia paralisar ações emergenciais como a Operação Carro-Pipa. Ele ressaltou ainda que a construção de cisternas não existiu este ano e que aconteceu uma redução neste programa de 73%, se comparado 2020, quando foram instaladas 8 mil unidades, com 2019, que registrou 30 mil unidades entregues.
No Piauí, o Governo do Estado assumiu a Operação Carro-Pipa após o Exército confirmar que não teria recursos ainda em novembro do ano passado e, com isso, abrindo a possibilidade de deixar cerca de 92 mil famílias sem água. A Defesa Civil estadual recebeu R$ 3 milhões para contratação do serviço e garantir o abastecimento nas cidades.

Deixe sua opinião: