A crise na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se aprofundou nesta quarta-feira (15), após 19 presidentes de federações estaduais divulgarem um manifesto pedindo a “renovação do futebol brasileiro”. O documento, divulgado horas depois da destituição de Ednaldo Rodrigues do comando da CBF por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, não cita o dirigente afastado, evidenciando seu isolamento político.
Entre os signatários do manifesto está o presidente da Federação de Futebol do Piauí (FFP), Robert Brown Carcará, que se une a um grupo de líderes estaduais que agora apoiam um novo ciclo na gestão do futebol nacional. Com a decisão judicial, o vice-presidente mais velho da entidade, Fernando Sarney, assumiu interinamente o cargo de presidente e já anunciou que convocará eleições "o mais rápido possível".
Sarney garantiu que não haverá interferência nas atividades do futebol em campo nem nos contratos vigentes. Isso inclui o compromisso com o técnico Carlo Ancelotti, que, segundo fontes ligadas à CBF, já foi informado sobre a saída de Ednaldo e confirmou sua permanência no comando da Seleção Brasileira.
A movimentação indica que os bastidores do futebol nacional vivem dias decisivos. A ausência de apoio a Ednaldo, inclusive por parte de dirigentes que participaram recentemente de reuniões com ele, sugere uma mudança significativa no controle político da CBF.
Não assinaram o manifesto as federações de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Tocantins, Amapá e Mato Grosso. O nome de um novo candidato à presidência ainda não foi definido, mas segundo dirigentes ouvidos, "será escolhido dentro do grupo".
Enquanto Ednaldo tenta reverter a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), o futebol brasileiro se encaminha para mais uma eleição que pode redesenhar sua estrutura de comando.
FAVORITO
Já com o apoio de pelo menos 22 federações, 19 delas que assinaram o manifesto por renovação na CBF, o Presidente da Federação Roraimense de Futebro, Samir Xaud, já desponta como favorito para comandar a Confederação Brasileira de Futebol. Desta forma, sequer deve haver alguma disputa uma vez que os prováveis concorrentes não teriam, matematicamente, como superar o limite de conquistar oito, das 27 federações do país e nem mesmo de cinco clubes.
O médico Samir Xaud tem 41 anos, é suplente de deputado federal e em janeiro deste ano eleito Presidente da FRF. Sua candidatura à presidência da CBF recebeu apoio da Federação de Futebol do Piauí, através de seu Presidente, Robert Brown.
.CONFIRA O MANIFESTO NA ÍNTEGRA:
"MANIFESTO PELA ESTABILIDADE, RENOVAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO. 15 DE MAIO DE 2025.
O futebol brasileiro vive um momento decisivo. É urgente enfrentar desafios estruturais que há anos limitam o potencial do nosso futebol. Precisamos de um calendário equilibrado, arbitragem profissionalizada, gramados de qualidade, segurança nos estádios e competições fortalecidas.
Para que isso aconteça, é fundamental garantir estabilidade institucional à CBF. Precisamos virar a atual página de judicialização e instabilidade que há mais de uma década compromete o bom funcionamento da entidade e o avanço do futebol brasileiro. É também momento de resgatar a autonomia interna da CBF, hoje sufocada por uma estrutura excessivamente centralizada e desconectada das instâncias que compõem o ecossistema do futebol nacional.
Além da estabilidade, o cenário exige uma renovação de ideias, de práticas e de lideranças, bem como a profissionalização definitiva das estruturas de gestão. A CBF precisa ser exemplo de governança, eficiência e transparência — e também precisa voltar a ser a casa de todos que constroem o futebol brasileiro, com um ambiente saudável, inspirador e descentralizado, em que cada um possa contribuir ativamente para a melhoria do esporte que constitui verdadeiro patrimônio nacional.
Unidos com esse propósito, assumimos o compromisso de construir uma candidatura à Presidência e Vice-Presidências da CBF comprometida com um novo ciclo para o futebol brasileiro: mais democrático, mais integrado e mais aberto à participação de todos. Queremos uma CBF forte, querida por dentro, admirada por fora — e novamente amada por todos que fazem do futebol a alma do nosso país."

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