O Ministério Público do Piauí (MPPI) acaba de denunciar um suposto esquema milionário de desvio de recursos públicos no município de Barro Duro. De acordo com a ação protocolada nesta quarta-feira (04), o prefeito Elói Pereira de Sousa, ex-secretários municipais e o proprietário de uma empresa de fachada teriam sido responsáveis por desviar R$ 1.117.057,00 dos cofres da prefeitura. A denúncia se baseia em uma investigação robusta, comandada pelo promotor de Justiça Ari Martins Alves Filho, e levanta graves suspeitas sobre a gestão e o uso do dinheiro público na cidade.
O caso começou a ser investigado em agosto de 2022, após uma inspeção conjunta entre o MPPI e o Tribunal de Contas do Estado (TCE). O alvo era a empresa Cândido José F. Lira – EPP, que recebeu mais de um milhão de reais da prefeitura, mesmo sem ter sede própria, funcionários regulares ou qualquer estrutura real para executar os serviços contratados. O endereço fiscal informado pela empresa surpreendeu os fiscais: ao chegarem ao local, encontraram apenas um imóvel residencial, com galinheiro, quintal e sem qualquer sinal de atividade empresarial.
O MPPI aponta que os pagamentos aconteceram sem contrato formal, sem divulgação em portal da transparência e sem notas fiscais emitidas. Pior: o próprio presidente da Comissão Permanente de Licitação da cidade afirmou nunca ter ouvido falar da empresa, embora ela tenha sido a maior “credora” do município em 2022. O dinheiro repassado à empresa era imediatamente sacado em espécie, dificultando qualquer rastreamento do destino final desses recursos.
Segundo o Ministério Público, o prefeito Elói Pereira foi o principal responsável pelos pagamentos, autorizando pessoalmente 111 transferências em 2021 e 2022, totalizando quase R$ 1 milhão. Ex-secretários também aparecem como coautores no esquema. A promotoria ainda pede a indisponibilidade dos bens dos investigados para tentar recuperar o dinheiro público desviado e defende a aplicação das penalidades máximas previstas em lei, incluindo perda do cargo, suspensão dos direitos políticos e multa milionária.
O caso agora segue para análise do Judiciário e para apuração criminal junto à Procuradoria-Geral de Justiça, já que o prefeito possui foro privilegiado. O episódio escancara a fragilidade dos mecanismos de controle e transparência em cidades pequenas do interior do Piauí — e acende um alerta para a necessidade de maior vigilância social e institucional.
Prefeito de Barro Duro é denunciado pelo MPPI por suposto desvio de R$ 1,1 milhão com “empresa fantasma”
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