• 4 de junho de 2026
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quinta-feira, 20 de novembro de 2025 | Wesslley Sales

Ministério Público investiga contratos de R$ 1,48 milhão em combustíveis sem licitação em Riacho Frio

Procedimento foi aberto após denúncias em redes sociais sobre acordo direto com três postos na gestão do prefeito Jabes Júnior (PSD). Centro de Apoio Operacional de Combate à Corrupção foi acionado.

O Ministério Público do Estado do Piauí instaurou um Procedimento Preparatório de Inquérito Civil Público para investigar a contratação direta de combustíveis, sem licitação, pela Prefeitura de Riacho Frio, durante a gestão do prefeito Jabes Júnior (PSD). Segundo o MP, a prefeitura teria firmado contratos com três postos de combustíveis que somam cerca de R$ 1.489.000,00, com vigência estimada de onze meses, sem a realização do devido processo licitatório.

De acordo com a Portaria que converteu a Notícia de Fato em procedimento preparatório, as suspeitas chegaram à Promotoria por meio de publicações em redes sociais, nas quais eram relatados contratos administrativos firmados diretamente com os postos, sem concorrência pública. Para o Ministério Público, a ausência de licitação em um volume financeiro considerado alto levanta indícios de possível ato de improbidade administrativa e de violação aos princípios da legalidade e da moralidade na gestão de recursos públicos.

A portaria, assinada pelo promotor de Justiça Diego Cury-Rad Barbosa, registra que o prazo da Notícia de Fato já havia se esgotado e que, diante da gravidade das informações e da falta de respostas satisfatórias da administração municipal, foi necessária a abertura do Procedimento Preparatório nº 28/2025 (SIMP 000215-232/2025) para aprofundar a apuração. Com isso, o caso passa a ser tratado de forma mais estruturada, com prazo de 90 dias para conclusão, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, mediante justificativa.

Entre as medidas iniciais, o Ministério Público determina a adequação do procedimento no sistema interno, a tramitação eletrônica dos autos e a comunicação formal ao Conselho Superior do MP e ao Centro de Apoio Operacional de Combate à Corrupção e Defesa do Patrimônio Público (CACOP). O órgão também ordena a juntada de documentos que possam fortalecer a investigação e o cumprimento de despacho anterior, que inclui a notificação pessoal do prefeito de Riacho Frio e a continuidade de diligências e requisições de informações.

A partir de agora, a Promotoria poderá requisitar documentos à Prefeitura e aos postos de combustíveis envolvidos, pedir certidões, relatórios e outros elementos que demonstrem como se deram as contratações, quais valores foram pagos, quais foram as justificativas utilizadas para não realizar a licitação e se houve algum tipo de emergência ou hipótese legal que justificasse a dispensa do procedimento.

O prefeito Jabes Júnior, a administração municipal e os proprietários dos postos citados terão oportunidade de se manifestar, apresentar explicações e documentos. Ao final da instrução, o Ministério Público decidirá se arquiva o caso, se firma algum tipo de ajuste com o município ou se ajuíza ação civil pública e eventual ação de improbidade administrativa contra os responsáveis, caso sejam confirmadas irregularidades. Até a conclusão do procedimento, não há condenação ou responsabilização definida, apenas a formalização da apuração.

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