• 4 de junho de 2026
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segunda-feira, 16 de março de 2026 | Wesslley Sales

Ministério Público apura possível uso de “empresa de fachada” em contratos da Prefeitura de Barras

Sócios da construtora seriam servidores comissionados da Prefeitura de Miguel Leão, levantando suspeita de “laranjas”

O Ministério Público do Estado do Piauí abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Barras com a empresa Liderança Construtora Ltda. A suspeita é que a empresa possa ter sido usada de forma irregular em contratos públicos e que seus sócios sejam apenas “laranjas”.

A medida foi assinada pelo promotor de Justiça Glécio Paulino Setúbal da Cunha e Silva, da 2ª Promotoria de Justiça de Barras, que decidiu converter uma denúncia inicial em procedimento preparatório, etapa que permite aprofundar a coleta de informações antes da eventual abertura de um inquérito civil.

Segundo o Ministério Público, as suspeitas surgiram a partir de uma Notícia de Fato registrada no órgão que aponta possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura com a construtora.

O ponto que mais chamou atenção dos investigadores é a situação dos sócios da empresa. De acordo com as informações iniciais, eles seriam servidores comissionados da Prefeitura de Miguel Leão, ocupando cargos de baixa remuneração, como a função de vigia.

Esse detalhe levantou dúvidas sobre a real estrutura da empresa e sua capacidade operacional para executar serviços ou obras contratadas pelo poder público.

Na avaliação preliminar do Ministério Público, a situação pode indicar a existência de empresas de fachada, quando pessoas são colocadas formalmente como sócias apenas para cumprir exigências legais, enquanto outras pessoas estariam por trás do negócio.

Outra hipótese investigada é a possibilidade de favorecimento indevido em contratos públicos, caso seja comprovado que a empresa foi utilizada apenas como intermediária para direcionamento de recursos.

A investigação busca verificar se a construtora realmente possui estrutura financeira, técnica e administrativa para executar os contratos firmados com o município.

O procedimento aberto pelo Ministério Público também pretende reunir documentos, analisar contratos e aprofundar a coleta de provas para entender como ocorreu a contratação da empresa e quais serviços foram executados.

Caso as suspeitas se confirmem, a situação pode configurar ato de improbidade administrativa, crime que envolve irregularidades na gestão de recursos públicos e pode resultar em punições como perda de função pública, suspensão de direitos políticos e ressarcimento ao erário.

Por enquanto, a investigação está em fase inicial. O procedimento preparatório deverá ser concluído em até 90 dias, podendo ser prorrogado uma única vez por igual período caso haja necessidade de novas diligências.

Ao final da análise, o Ministério Público poderá arquivar o caso, caso não sejam comprovadas irregularidades, ou transformar a investigação em inquérito civil, o que abriria caminho para eventual ação judicial.

A abertura do procedimento reforça o papel do Ministério Público na fiscalização da administração pública e no combate a possíveis irregularidades na contratação de empresas pelo poder público.


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