• 5 de junho de 2026
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quinta-feira, 14 de abril de 2022 | Wesslley Sales

Quer um bom emprego? Lute pela chefia de gabinete do Senador Ciro Nogueira

“Um cara de bom senso. Meu menino, ele era meu chefe de gabinete, eu botei ele lá", teria dito o então Senador em áudio sobre presidência do CADE.

A força do chamado Centrão e sua habilidade nos bastidores do poder projetou o Senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma escalada que o levou a ser o Ministro mais importante do governo Jair Bolsonaro (PL). Mas, esse é um trabalho que vem de longe. Como Presidente do Progressistas e o controle de quase 50% do parlamento para aprovar e garrotear presidentes fortaleceu o Ministro da Casa Civil nos governos Lula, Dilma e Temmer.

Agora, relatórios da Polícia Federal desnudam as relações entre Ciro Nogueira e empresários, ao tempo em que revelam que um dos cargos estratégicos para se chegar a postos chave em qualquer governo passava pela chefia de gabinete do então Senador da República. O inquérito que investiga pagamento de propina é robustecido por um áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, como mostra trecho de reportagem do O Antagonista. 

“Um cara de bom senso. Meu menino, ele era meu chefe de gabinete, eu botei ele lá (…) E ele conseguiu se entrosar lá”, Ciro referia-se a Alexandre Cordeiro, que teria sido indicação sua para Presidência do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Desta forma, o Senador tentava tranquilizar Joesley sobre problemas de sua empresa (J&F) com o órgão. 

De acordo com o inquérito da Polícia Federal, em 2014 Ciro Nogueira teria recebido R$ 5 milhões da J&F em propina para apoiar a reeleição de Dilma Rouseff (PT). 

O OUTRO MENINO DE NOGUEIRA

Paralelo a este inquérito da Polícia Federal, uma outra grave denúncia também envolve um apadrinhado do Ministro piauiense. Ricardo Ponte, que atualmente ocupa a Presidência do FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), também foi chefe de gabinete de Ciro Nogueira no Senado.

O escândalo agora envolve a construção de “escolas fakes” com o único objetivo de captar aliados para fortalecer Bolsonaro principalmente no Nordeste e beneficiar parlamentares em seus redutos eleitorais através de emendas ao chamado “orçamento secreto”.

O esquema funciona através do anúncio de promessas de construção de escolas que não tem previsão orçamentária, ou seja, não tem como serem feitas. De acordo com o Estado de São Paulo, para dar conta do compromisso de duas mil novas escolas seriam necessários R$ 7.6 bilhões, mas o FNDE tem apenas R$ 114 milhões em seu orçamento. Se priorizado recursos para este fim, outras 3.5 mil unidades escolares ficariam inacabadas.

O Ministro Ciro Nogueira evita entrar nestas polêmica. Pelas redes sociais faz críticas ao PT, ao governo do Piauí e a Lula e elogios ao governo Bolsonaro. Apenas, através de seus advogados, uma nota nega qualquer recebimento de propina e reafirma: "A defesa técnica do Ministro Ciro Nogueira estranha o relatório da Polícia Federal, pois a conclusão é totalmente baseada somente em delações que não são corroboradas com nenhuma prova externa. Até porque a narrativa das delações não se sustenta". 

  

Quer um bom emprego? Lute pela chefia de gabinete do Senador Ciro Nogueira Agência Senado
   

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